Uma nova inserção internacional para a dermatologia
13/06/2012

por Omar Lupi

A dermatologia tem como um dos seus principais fóruns no exterior a International League for Dermatological Societies (ILDS), organização centenária e de grande respeitabilidade. Como estamos a poucos meses de comemorar o cinquentenário da assinatura da Declaração de Helsinque (1963-2013), marco na normatização das pesquisas científicas éticas em todo o mundo, parece ser a hora de avaliar como a dermatologia se insere neste contexto.

Dr. José Luis do Amaral, presidente da Associação Medica Mundial (à esq.) e Dr. Omar Lupi, diretor do IPP.

Recentemente tive uma conversa muito aprazível com o Prof. José Luiz do Amaral, atual presidente da Associação Médica Mundial (AMM), entidade-mãe para qual convergem todas as Associações Médicas de cada um dos países afiliados à ONU. Nossa Associação Médica Brasileira (AMB) nos representa com muita efetividade e esta é mais uma razão para que cada médico brasileiro tenha a sua cota com a AMB paga em dia. Esta é a terceira vez na história que presidimos a AMM.

A AMM acabou de enviar carta ao ditador sírio Bashar Assad, formado em Medicina e já tendo exercido a oftalmologia, alertando-o do seu compromisso profissional em poupar vidas. Discute também o fato de que as restrições de pesquisas e a experimentação de novas drogas em crianças, grávidas, indígenas e idosos há alguns anos teve como objetivo protegê-los, mas criou um impasse curioso nos dias de hoje: o efeito colateral principal é a falta de dados científicos destes grupos que ajudam a traçar o perfil de segurança apropriado nesta populações. Hoje se discute como os mesmos devem ser incluídos nos estudos, mas de forma ética e segura.

Outro assunto palpitante é o de doadores compulsórios vivos de órgãos. Em alguns países, como a China e até recentemente o Kosovo, presidiários são forçados a doar seus órgãos para doentes de forma obrigatória, como meio de “ajudar a sociedade depois do seu delito”, o que infringe todas as normas de ética médica prezadas e defendidas em nossa sociedade. Estes são temas atuais e relevantes para a Medicina como um todo e, é claro, para a dermatologia. A pele é o maior órgão do corpo e alvo frequente de doações para queimados. Os cuidados extremos hoje vigentes para medicações em grávidas vêm principalmente da má experiência com a talidomida, droga para o tratamento da hanseníase que causou grandes deformidades em bebês no passado (focomielia).

Não termos posições definidas não é mais  uma opção. As grandes especialidades médicas como a dermatologia devem estar aptas para esclarecer a população e para auxiliarem na manutenção e aprimoramento da nossa profissão.

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