Profissionais buscam novas técnicas para diagnóstico da hanseníase
16/03/2014

Agentes comunitários de saúde, médicos e enfermeiros iniciaram um treinamento no sábado (15), em Santarém, oeste do Pará, no intuito de avaliar a possibilidade da criação de novas ferramentas de laboratório para auxiliar no diagnóstico da hanseníase. De acordo com o coordenador do projeto, o médico dermatologista Cláudio Salgado, nesta segunda-feira (17) começaram as visitas às escolas e residências em diversos bairros do município.

Duas equipes compostas por um médico, uma enfermeira, um fisioterapeuta, um técnico de laboratório e uma equipe de informática, além de professores e alunos farão as visitas que devem ser realizadas em uma semana.

Nesta segunda-feira, algumas escolas da rede pública estão recebendo as visitas das equipes e terão examinados aleatoriamente 50 alunos. Caso sejam encontrados casos de hanseníase, os profissionais da saúde devem ir até a casa do aluno para examinarem a família dele também. “Hoje começa nas escolas, vamos em quatro escolas, duas de manhã e duas de tarde para examinar estudantes”, informou Salgado.

A meta do projeto é alcançar 100 famílias.  As pessoas visitadas devem passar por exames para saber se estão bem, se têm alguma incapacidade física e se já tiveram a doença. Além do exame clínico, essas pessoas passarão por avaliação de fisioterapeutas e coleta de sangue para avaliar a presença de imunoglobulina específica contra uma proteína do bacilo. “Na terça-feira (18), a gente vai à casa dos pacientes dos últimos dez anos, para examinar os pacientes novamente e examinar as pessoas que moram com esses pacientes para saber como estão, se tem casos novos”, explicou o médico.

O coordenador do projeto ressalta que geralmente o diagnóstico da doença é clínico. “[A hanseníase] é uma mancha com alteração de sensibilidade. A pessoa que está examinando o paciente precisa detectar a mancha e fazer testes para saber se a pessoa sente realmente aquela mancha ou não. Hoje o diagnóstico é desta maneira. O que estamos tentando fazer com este projeto é buscar novas ferramentas de laboratório que possam auxiliar neste diagnóstico. O tratamento melhorou muito e está disponível no Brasil inteiro. Com relação ao tratamento não temos problema, o problema é realmente o diagnóstico”, explicou.

O projeto vai usar uma série de ferramentas para auxiliar no diagnóstico da hanseníase, desde detecção de imunoglobulina no plasma até ferramentas de georreferenciamento, para tentar identificar os locais onde há maior probabilidade de detectar casos da doença.

Ao final será elaborado um relatório que será entregue ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), o qual está apoiando o projeto. Para o município será entregue um mapa, com a localização das principais áreas com casos de hanseníase para que um outro trabalho seja desenvolvido na área.

Os profissionais da área da saúde e estudantes fazem parte da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade Federal do Pará (Ufpa), Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e Universidade Estadual do Colorado, dos Estados Unidos.

FONTE: G1

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