OMS declara emergência mundial por microcefalia, mas não veta viagens ao Brasil
02/02/2016

A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou emergência internacional em saúde pública devido ao aumento de casos de microcefalia e doenças neurológicas e à suspeita de ligação deles com o vírus da zika.

A medida reforça o alerta sobre o avanço do vírus, e as atenções se voltam para o Brasil, que registra, desde outubro, um avanço no número de casos da má-formação.

Segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde, com dados até 23 de janeiro, há 3.448 registros suspeitos e 270 confirmados.

A decisão da OMS ocorre após reunião de um comitê de especialistas convocado para discutir o tema.

A diretora da organização, Margareth Chan, classificou o atual surto de microcefalia e ocorrências de doenças neurológicas no Brasil, assim como na Polinésia Francesa, como “evento extraordinário” e “ameaça à saúde pública”. Segundo ela, a relação entre o zika e os casos da má-formação, embora ainda não comprovada cientificamente, é “fortemente suspeita”.

A decisão da OMS não restringe viagens ou comércio, principal preocupação do governo brasileiro diante da proximidade das Olimpíadas.

No momento, diz a entidade, as medidas mais importantes são o controle do mosquito e prevenção de picadas em pessoas mais vulneráveis, especialmente grávidas. Para as gestantes, a recomendação é que adiem viagens aos países mais afetados —caso do Brasil— e usem roupa de manga comprida.

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, admitiu que o anúncio da OMS pode afetar no curto prazo a vinda de estrangeiros ao Brasil. “Deve haver um recolhimento [de turistas] em relação aos países com casos de zika vírus.”

Ele afirmou, porém, que a situação deve ser revertida no longo prazo com as campanhas de esclarecimento e não deve prejudicar a presença de estrangeiros na Olimpíada.

Wagner disse ainda que, devido ao ineditismo da situação, tanto o governo como a sociedade brasileira ainda estão em uma fase de “absoluta perplexidade”.

Na prática, a declaração da OMS pode acelerar a pesquisa para testes de diagnóstico rápido do zika e vacinas —há estudos sobre uma imunização, mas ela não deve ficar pronta antes de três anos, de acordo com o governo.

Segundo David Heymann, presidente da reunião da OMS, a declaração de emergência não se deve só ao zika, uma vez que, por si só, o quadro de infecção pelo vírus é considerado de baixa gravidade. Assintomático em 80% dos casos, ele pode causar manchas vermelhas pelo corpo, coceira e febre baixa

A emergência se deve ao risco de complicações —caso de doenças neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, e a microcefalia.

A última vez que a OMS decretou emergência global foi devido ao ebola. A mesma classificação recebeu a epidemia de gripe H1N1 e a pólio.

O zika já atinge 25 países e territórios das Américas.

O Brasil é o país mais afetado. A estimativa do Ministério da Saúde é que o vírus tenha infectado de 500 mil a 1,5 milhão de pessoas no último ano.

Agora, o ministério vai tornar a doença de notificação compulsória, uniformizando os registros dos Estados. Com a mudança, casos passam a ser notificados após diagnóstico clínico ou exames que identifiquem o zika.

Além disso, como antecipou a Folha, a presidente Dilma Rousseff enviou medida provisória ao Congresso que autoriza agentes de saúde a entrarem de maneira forçada em áreas privadas abandonadas ou fechadas para combater focos do Aedes.

São Paulo

Também nesta segunda (1), o governo de São Paulo confirmou o segundo caso de zika em grávidas no Estado, em Piracicaba (a 160 km de SP). Por ora, não foram vistas anomalias no ultrassom. Há 17 suspeitas em apuração no Estado.

Alerta global

Surto de microcefalia leva OMS a declarar emergência internacional

Mundo em alerta

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou nesta segunda (1º) emergência mundial por causa da microcefalia (má-formação cerebral), problema associado ao zika

O que significa?

A designação foi recomendada por um comitê de especialistas independentes da agência da ONU, após críticas sobre uma resposta hesitante até agora

O que muda?

Na prática, a decisão deve ajudar a acelerar ações internacionais e de pesquisa. Viagens aos países com transmissão ativa do vírus, como o Brasil, não estão vetadas

Tamanho do problema

Segundo órgão de saúde dos EUA, 28 países e territórios têm casos de transmissão do vírus. O Brasil é o mais afetado, com 3.718 casos confirmados e suspeitos de microcefalia

Perspectiva

Estimativa da OMS prevê que até 4 milhões de pessoas sejam infectadas pelo zika em todo o continente americano neste ano, sendo 1,5 milhão delas somente no Brasil

Fonte: Folha de S.Paulo

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