O mito do xampu sem sal - Instituto Protetores da Pele

O mito do xampu sem sal
23/02/2012

.por dra. Maria Fernanda Gavazzoni

Não se sabe sua origem, mas sem dúvida as consumidoras brasileiras aderiram ao uso do xampu sem sal como o salvador das madeixas ressecadas. Ao invés de uma preocupação voltada para os ingredientes do xampu, o que se observa é que as atenções estão voltadas apenas para a FALTA de um deles: o cloreto de sódio ou, também chamado, SAL.

O cloreto de sódio, fórmula molecular NaCl, é o mesmo sal da nossa culinária ou da água do mar. Talvez o mito tenha surgido pelo fato da água salgada endurecer e ressecar os cabelos. Isto é fato. Mas, não se trata de xampu salgado! O sal é um importante componente de qualquer xampu e quando usado nas concentrações adequadas jamais terá qualquer influência negativa na estética dos cabelos. Xampu sem sal é como fruta sem açúcar. Não existe. Aliás, observa-se que a propaganda dos supostos xampus sem sal apresentam um asterisco que informa em letras pequeninas que “não houve adição de cloreto de sódio (NaCl). “ Ora, a necessidade desta informação constar nos rótulos e propagandas é devido ao fato de toda e qualquer fórmula de xampu, contendo muitas vezes mais de 40 ingredientes, gera sal através da reação química que ocorre entre os seus componentes. Vamos explicar isto:

Naturalmente ninguém mais  lava os cabelos com sabão em barra. A indústria cosmética foi capaz de desenvolver agentes de limpeza sintéticos que hoje são usados como limpadores de cabelo e couro cabeludo. Estes agentes são chamados “surfactantes” e são a alma de qualquer xampu, pois são eles que higienizam e retiram o óleo e a sujeira. Os surfactantes devem ser capazes de grudar na sujeira e ao mesmo tempo, arrastá-la por água abaixo permitindo o enxágüe. Mas, sabemos que não podemos misturar água com óleo. Então como retirar produtos oleosos do nosso couro cabeludo se a água não vai se ligar na sujeira? É aí que entram os surfactantes. Eles têm uma estrutura como se fosse um cotonete onde a cabeça de algodão liga-se com a água e o palito de plástico liga-se com a gordura do couro cabeludo e fios. Quando se enxágua vai tudo junto e os cabelos ficam limpinhos.

Agora é que vem a história do sal: o principal surfactante ou agente de limpeza existente em quase todos os xampus é o lauril sulfato de sódio ou derivados deste.  Daí já reconhecemos um nome: sódio (Na). O lauril é um limpador excelente, mas o xampu só com ele seria muito aguado, pois este não dá viscosidade ao xampu nem tampouco geraria espuma na hora de lavar. Para que tudo não escorra literalmente por água abaixo e por entre os nossos dedos, há de se adicionar ao lauril algo que encorpe o líquido do xampu e permita que seja produzida espuma na hora de lavar os cabelos. É a hora do cloreto de sódio. Acrescenta-se quantidade sufuciente para que o xampu adquira uma consistência mais firme e que permita seu uso sem que escorra. Existe um limite para o uso deste sal. Acima do limite o xampu fica pegajoso e novamente desagradável. Para que não se precise adicionar muito sal, todos os xampus têm na sua fórmula agentes limpadores que auxiliam o efeito do lauril sulfato de sódio, tornando-o mais suave e ao mesmo tempo fornecendo viscosidade ao xampu, ou seja, deixando ele mais firme e encorpado. Com isso, precisa-se menos ainda da adição do cloreto de sódio. E é isso que temos hoje. Mínimas concentrações de cloreto de sódio acrescentadas à fórmula para gerar um produto que não escorra e faça espuma. Mas e o sódio do lauril? O sódio também vai se combinar com o cloro da água do banho e com o cloro de vários outros elementos da fórmula do xampu. Aliás eu não falei, mas outros componentes menos importantes também tem sódio na sua molécula. Tudo isso vai reagindo quimicamente dentro do frasco e há a indubitável e inevitável formação de cloreto de sódio para qualquer xampu. E não há nada de mal nisso.

Podemos nos perguntar se este sal gerado ou adicionado se deposita nos fios. Nada mais justo do que esta pergunta ser feita agora que conhecemos o segredo. Bem, o NaCl tem carga elétrica positiva. Os fios de cabelo lavados têm carga elétrica negativa. Não poderiam estes se atrair? Sim. Mas, isto não ocorre. Não ocorre devido ao alto teor de agentes hidratantes, também com carga positiva, que fazem parte das fórmulas dos bons xampus. Os hidratantes são moléculas com muito mais força na ligação com a queratina do cabelo e com a cutícula do fio do que o sal. Estão em grande quantidade e são feitos para se depositarem nas partes destruídas e ressecadas dos fios. Exatamente onde há o dano e onde mais se precisa de reparo. O produto hidratante não deixa o sal de depositar e mais ainda, impede o sal externo de ressecar os fios. Vamos relembrar que, no início da nossa história, falamos que a água do mar deixa os fios ressecados. Pois bem, se os cabelos são tratados com xampus e condicionadores que possuem agentes hidratantes capazes de repelir este sal, estamos livres do sal que realmente importa. É esta a idéia que tem fundamento. O sal do suor é infinitamente mais concentrado e danoso do que o cloreto de sódio que dá viscosidade ao xampu. No entanto, não podemos impedir nossa pele de transpirar, assim como não queremos deixar de dar aquele mergulho gostoso na água do mar. Muita calma nessa hora: agora não mais precisamos ter este tipo de preocupação. Basta que utilizemos produtos de xampu e condicionador que impeçam este sal de se depositar nos fios.

Ficou fácil e muito mais real!

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