Campanha do IPP leva discussão sobre esporotricose para Academia Nacional de Medicina
05/05/2016

DSC_0542

Hoje, a Academia Nacional de Medicina – ANM, reduto mais tradicional da medicina nacional, recepcionou o Simpósio sobre Esporotricose, recebendo especialistas na doença, entre autoridades governamentais, dermatologistas e veterinários. A atividade, coordenada pelo Diretor Científico do Instituto Protetores da Pele – IPP, Prof. Dr. Omar Lupi, faz parte da Campanha de Conscientização sobre Esporotricose, lançada no final de 2015 pelo instituto. Para o doutor, a inciativa denota a abrangência da campanha:

“A realização deste simpósio credita e amplia a campanha do IPP, que nasceu com o objetivo de dar mais holofote a um tema urgente, mas ainda pouco disseminado”, comentou Lupi, que também comemorou a massiva presença de jovens na plateia.

O encontro começou às 14h com a palestra do biólogo Rodrigo Paes, da Fiocruz, que introduziu o tema explicando detalhadamente o agente causador da doença. O grande vilão, um fungo chamado Sporothrix, vive na natureza. É possível pegar a doença em contato com o solo, plantas ou madeira, por exemplo.

Embora a quantidade de casos tenha aumentando significativamente nos últimos anos, não são novos os relatos de pessoas a animais acometidos. No início do século XX já se registravam os primeiros casos. Mas foi na década de 90 que o gráfico ganhou sua maior inclinação. O veterinário Sandro Pereira, da Fiocruz, associa a este fato o “fenômeno de gatos pet”, que vem crescendo no mundo inteiro, principalmente a partir da década de 80. Para o doutor, este contato mais próximo com os seres humanos somado à suscetibilidade dos gatos em relação à esporotricose é a fórmula que culminou com a atual situação da doença em nosso país.

Uma importante mudança diz respeito à forma de transmissão da doença. A esporotricose foi conhecida por muito tempo como a “doença do jardineiro”, em referência aos profissionais que mais comumente eram acometidos. Mas o panorama atual é diferente.

“Antigamente, era a doença do jardineiro. Hoje, é a doença do gato, mas é preciso ter cuidado com essa denominação, pois o gato não é um vilão”, disse o Dr. Dayvison Freitas, acrescentando a informação de que há tratamento para os felinos.

O Dr. Dayvison Freitas também discorreu sobre a importância de dar a devida atenção aos felinos acometidos pela doença. O tratamento, que é longo, precisa ser feito correta e integralmente e, em caso de óbito, o animal precisa ser cremado. “Enterrar o animal mantém o risco de contaminação”, explicou.

Após o chá acadêmico, religiosamente realizado às cinco da tarde na ANM, ainda foram apresentadas mais duas interessantes palestras, focadas nas políticas públicas das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Mariana da Cunha e Silva, da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, e Maria Cristina N. C. Mendes, do Centro de Zoonoses de São Paulo, explicaram aos presentes como o problema é enfrentado nos dois municípios. A mensagem principal é que a mais eficaz arma contra a doença sempre será a conscientização dos donos.

“O gato também é uma vítima deste importante problema de saúde pública, portanto é muito importante levarmos conhecimento à população”, finalizou Mariana da Cunha e Silva.

O Instituto Protetores da Pele mantém a campanha no âmbito digital através de seu portal e seus perfis nas mídias sociais, com a certeza de que, desta forma, mais pessoas poderão compartilhar conteúdo seguro sobre os cuidados necessários na prevenção da esporotricose.

Participaram também do simpósio os doutores Antônio C. F. do Valle e Isabella Gremião, que abordaram a esporotricose humana e felina, respectivamente.

Clique aqui para conferir a programação do evento.

 

Compartilhe este post!

Post by admin

Posts Relacionados