A invasão da Dermatologia: um cenário nebuloso
14/07/2012

[Carolina Marçon]

Pele: o maior órgão do corpo humano

.A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo provida de aspecto especial, por estar diretamente ligada ao meio externo e influenciar as relações interpessoais. Compreender o seu complexo mecanismo de funcionamento e suas importantes interações com os outros órgãos e com o meio ambiente é extremamente fascinante, um verdadeiro privilégio para os que estudaram e se dedicaram arduamente para esse fim.

Após um longo e intenso aprendizado de medicina durante os seis anos da faculdade, somado aos três anos de especialização, nos quais nos dedicamos integralmente para adquirir conhecimentos práticos e teóricos direcionados especificamente para a pele, podemos, então, entender suas características únicas, suas disfunções e as inúmeras variações geneticamente determinadas, que regem o seu funcionamento. Subsequentemente, estamos aptos a analisar cada paciente de maneira individualizada e indicar/executar com coerência e adequação, tratamentos clínicos, cirúrgicos e cosmiátricos. O fato de termos esse conhecimento ímpar e uma visão diferenciada, faz com que seja extremamente difícil e triste observar a banalização que vem acontecendo com a abordagem da pele. Parece-me que a mesma virou instrumento de lucro para uma série de profissionais, que a tratam de forma mercantilista e sem fundamentação científica, visando apenas fins financeiros e deixando de lado todo o aspecto médico que deve ser levado em conta, mesmo nos tratamentos estéticos, para que não ocorram efeitos deletérios e irreversíveis.

O cenário dermatológico atual mostra-se nebuloso e desanimador, sobretudo para os mais jovens, que egressam da residência médica e se deparam com tamanha invasão e desvalorização profissional. Todos os anos de estudo e abdicação pessoal, parecem ter sido nulos, quando nos vemos comparados a nada e observamos nossos pacientes sob sérios riscos, sem sequer terem idéia dos fatos. Afinal, diante de tantas falcatruas, fica complicado diferenciar quem é quem. Difícil aceitar que profissionais que se submetem a cursinhos de final de semana, possam ter conhecimento suficiente para indicar e realizar adequadamente um tratamento dermatológico. É difícil aceitar, pois é meramente impossível saber sobre pele em poucas horas, em cursinhos fajutos, ou apenas através de leitura repetitiva. Dermatologia, definitivamente, não tem nada a ver com isso.

O cenário dermatológico atual mostra-se nebuloso e desanimador, sobretudo para os mais jovens, que egressam da residência médica e se deparam com tamanha invasão e desvalorização profissional.

Precisamos de união, discernimento e racionalidade para combatermos de maneira efetiva todas essas ameaças que sucumbem a nossa especialidade e colocam em perigo nossos queridos pacientes. É importante, que todos os indivíduos estejam bem informados, sobre como e onde encontrar profissionais capacitados para exercer a dermatologia verdadeira. A questão tornou-se um problema de saúde pública, sendo necessárias intervenções jurídicas e campanhas de orientação à população, com brevidade, antes que as complicações de tratamentos mal indicados e executados, sejam as principais queixas em nossos consultórios.

Dr. Sérgio PalmaDra. Carolina Marçon

Dermatologista – Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Assessora de Comunicação e Redes Sociais – Diretoria Gestão 2013/14

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