Vacina contra o melanoma em 3 anos?
18/04/2013

Dermatologista Brigitte Drenó tenta usar nosso próprio sistema imunológico para enfrentar o câncer de pele

Em seu laboratório no Instituto de Pesquisas em Bioterapia, na França, a dermatologista Brigitte Drenó trabalha em uma das pesquisas mais avançadas do mundo contra o câncer de pele. Ela não está à procura de substâncias estranhas ao corpo que tenham a capacidade de atacar os melanomas, como a grande maioria dos quimioterápicos. Brigitte estuda maneiras de fazer com que o próprio sistema imunológico destrua as células cancerígenas.

Em entrevista ao site de Veja, Brigitte explicou como essas pesquisas são feitas e fez prognósticos animadores sobre o tratamento da doença. Segundo ela, dentro de três anos estarão disponíveis as primeiras vacinas contra o câncer de pele.

Por que nosso sistema imunológico não ataca naturalmente o câncer?

Porque, para atacar uma célula, o sistema imunológico precisa reconhecer algum marcador nela. Quando usamos uma vacina, por exemplo, nós injetamos no corpo um vírus com proteínas que fazem esse papel de marcador, e induzem a ativação das células de defesa. Ao reconhecer essas proteínas, o organismo produz células T, que atacam todos os invasores que têm marcadores. Assim, conseguimos vencer a infecção. Quando você tem algum câncer, como o melanoma, ele não expressa o marcador que induziria a ativação do sistema imunológico. Se conseguirmos que esses tumores expressem o marcador para ativar as células T de nosso organismo, conseguiremos induzir a imunidade.

Em teoria, o que deveríamos fazer para ativar a imunidade?

Para ativar nosso sistema imunológico, precisamos de uma droga que induza as células do melanoma a expressarem esses marcadores. Desse modo, as células T de nosso organismo reconheceriam o câncer e o atacariam. É basicamente isso que tentamos fazer com a imunoterapia: uma vacina contra o câncer.

O que é preciso para induzir uma célula a expressar seu marcador?

Há uma substância chamada interferon, por exemplo, que estimula a imunidade local e obriga as células do melanoma a expressarem seus marcadores, que são, assim, reconhecidos pelas células de defesa. O interferon estimula o gene que já está presente no tumor a expressar essa proteína. No entanto, temos um outro problema na busca de imunoterapia. As células do tumor, além de não expressarem seus marcadores, têm proteínas que inibem o ataque das células T. Estamos trabalhando para superar isso, mas são problemas muito complexos.
Em qual etapa do desenvolvimento a medicina está?

Nós já somos capazes de estimular a expressão dos marcadores. Em nosso laboratório, estamos trabalhando para identificar novas proteínas do melanoma que possam estimular nosso sistema imunológico. E também estudamos como fazer para que elas sejam expressas. Trabalhamos em todos os passos do processo, vamos da pesquisa básica até o trabalho com pacientes.

Quando essa terapia poderá ser usada?

A maior dificuldade é descobrir qual o marcador expressado pelas células do tumor, e obter essa proteína. Cada câncer vai ser enfrentado de um jeito, e cada paciente deve receber um tratamento específico. Até conseguirmos desenvolver uma boa vacina, deve demorar uns dois ou três anos. As pesquisas estão ficando mais rápidas, cada vez mais sabemos os mecanismos que o melanoma usa para escapar de nosso sistema imunológico. Em até três anos vamos ter contornado esses problemas e teremos a primeira vacina para o tratamento do melanoma. O que é incrível, porque estima-se que a terapia conseguirá prevenir a metástase do tumor em 60% dos casos.

FONTE: Instituto Oncoguia

Compartilhe este post!

Post by admin

Posts Relacionados