O vitiligo na infância
13/08/2013

Quando a conversa começou, ele não estava por perto. “Ele não para quieto”, explicou a mãe. Aos nove anos, Wellington é o que esperamos de uma criança: alegre, esperto, brincalhão. Estávamos na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, onde acontecia a ação do Instituto Protetores da Pele pelo Dia Mundial de Combate ao Vitiligo, e o menino subia as escadas e cumprimentava as pessoas e colocava e tirava o boné. Pouco antes de entrar na sala de atendimento, batemos um papo.

O motivo daquela mãe esta ali era um: Wellington tem vitiligo em uma forma bem extensa, no rosto inclusive. A doença começou a ser notada muito cedo e, como na maioria dos casos, tratada como se fosse uma micose com remédios que, ou não adiantam de nada, ou pioram a situação. Aos cinco anos de idade constatou-se que as manchas brancas que não paravam de crescer eram fruto do vitiligo.

– Em 2009, depois de alguns problemas emocionais, é que a doença se desencadeou. – explicou a mãe. É assim com quase todos os pacientes e essa relação com o lado emocional tem sido incessantemente estudado pela Dermatologia.

O vitiligo não costuma causar danos severos à saúde, mas isso não quer dizer que não faça mal. Faz, e muito, principalmente na idade de Wellington. Nessa época, quando frequentamos o colégio e iniciamos nossa vida social, uma mancha na pele pode ser um pesadelo. Wellington decidiu enfrentar. Sua mãe, no dia anterior, estava passando mal e disse que não poderia levá-lo ao atendimento da campanha. A resposta do menino surpreendeu: “Vamos sim, mãe. Você não sabe o que eu sofro na escola.”

– Eu não sabia disso. Ele nunca tinha falado que passava por isso na escola. Sempre tive contato com as brincadeiras de mal gosto feitas pelos adultos e sempre corto para que não continuem. Coisas do tipo chamar de Michael Jackson. – contou a mãe, que, depois do pedido do filho, não titubeou em levá-lo à Policlínica.

O tratamento do vitiligo é outro ponto controverso. Há tantos mitos quantos podem existir. Wellington foi submetido a alguns, inclusive o mais comum deles, a serralha.

– Há gerações fala-se da serralha, comprada nas feiras livres, para ser ingerida em saladas e sucos. Alguns médicos até estimulam esses hábitos. Há vários riscos nessa abordagem, pois, em primeiro lugar, você pode estar comprando gato por lebre; quem garante que aquela planta comprada era mesmo a que você procurava? Outra coisa é que plantas crescem em condições muito diferentes de solo, umidade e insolação, o que afeta diretamente a sua composição química e, portanto, seus resultados e chance de efeitos colaterais. – atenta o dr. Omar Lupi, diretor científico do Instituto Protetores da Pele, em seu livro Doutor, eu tenho vitiligo, recém lançado.

O melhor, segundo Lupi, é procurar o médico e evitar a automedicação. Wellington parece que já sabia disso e muito mais. Contou que leva as gozações na esportiva, mas que as vezes resolve no braço. Não dava pra dizer que ele estava errado.

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