O que é dermatoscopia [parte 2]
24/05/2013

Conforme comentamos no primeiro post, existem duas maneiras de se realizar o exame dermatoscópico. Pode ser feita a dermatoscopia manual com um aparelho ou lente portátil que aumenta a lesão da pele em 10 vezes.

Se o dermatologista desejar fazer um registro, junto ao aparelho de dermatoscopia se acopla uma câmera digital. O médico decide quais lesões são pertinentes de serem fotografadas e armazenadas no computador. Nele, a dimensão, o diâmetro e área das lesões são mais fáceis de serem avaliadas, além de permitir que o médico acompanhe, ano a ano, a evolução de cada lesão, crescimento, forma, cor.

Atualmente, a maioria dos dermatologistas utiliza estes dermatoscópios portáteis nos seus consultórios para o exame de rotina de seus pacientes. Este exame ajuda no diagnóstico diferencial da maioria dos cânceres de pele, como o carcinoma basocelular e espinocelular, além de facilitar a descoberta de lesões pré cancerígenas, como a queratose actínica. A diferenciação destas lesões das lesões benignas evita procedimentos invasivos, como a biópsia ou a retirada cirúrgica.

O mapeamento corporal total consiste na união de fotos dermatoscópicas e fotos clínicas de pacientes com maior risco para câncer de pele, principalmente melanoma. São realizadas fotos de diversas áreas do corpo do paciente, até que se crie uma espécie de atlas da sua pele. Desta forma, o paciente terá uma maneira de observar como estava a sua pele em um certo momento no tempo. Isto é muito importante para comparar o crescimento de sinais e o surgimentos de novas lesões. Além disso, o dermatologista escolhe algumas pintas para registrar a sua aparência na dermatoscopia, na tentativa de localizar lesões suspeitas e acomanhá-las ao longo do tempo, conseguindo desta forma localizar pequenas mudanças nas lesões mapeadas.

A segunda forma de dermatoscopia é a digital. Diferentemente da lente portátil, são utilizados aparelhos maiores com lentes mais potentes, que aumentam a imagem de 20 a 70 vezes, associadas a um computador. Neste caso, fica mais fácil para o médico o registro das imagens do paciente, muito utilizado na realização do chamado mapeamento corporal total.

Os pacientes que são os principais candidatos para o exame de mapeamento corporal total são aqueles com muitos sinais (pintas), história pessoal ou familiar de melanoma, pessoas que sejam ruivas ou loiras de olhos claros, pessoas com sardas desde a infância e que tenham queimaduras solares desde infância (com pele descascada).

A dermatoscopia é mais um recurso para o exame de rotina do dermatologista e hoje já está sendo usado para avaliação da queda de cabelo, doenças das unhas e diversas outras áreas da dermatologia.

Apesar da grande expansão do seu uso, não podemos esquecer do seu objetivo primordial que é o diagnostico precoce do melanoma, o mais grave câncer de pele. Sua incidência está cada vez mais alta, até mesmo em pacientes jovens.

 NÃO LEU A PRIMEIRA PARTE DESTE POST? CLIQUE AQUI.

Manuela Boleira
Dra. Manuela Boleira possui fellow em dermatologia na Universidade de Miami, Estados Unidos, Mestrado pela UFR e é autora do livro Dermatologia Fundamental. É afiliada à Sociedade Brasileira de Dermatologia, possui título de especialista e é professora assistente da Pós Graduação em Dermatologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

Compartilhe este post!

Post by admin

Posts Relacionados