Mineira diz que mancha no rosto a deixa bonita e dá aula de autoestima
09/05/2017

A mineira Mariana Mendes, de 24 anos, está acostumada a receber olhares e a escutar comentários sobre uma grande pinta em seu rosto. Mas ela não liga. Muito pelo contrário. Para a assistente de estilista, nascida em Patos de Minas, a 302km de Belo Horizonte, o sinal a diferencia das outras pessoas e a torna até mais bonita.

Ela não é a única que pensa assim. Fotos de Mariana publicadas no Instagram levaram a imprensa estrangeira a chamá-la até de modelo. A mineira foi assunto em sites europeus. “Modelo diz que marca de nascença no rosto a torna única e se recusa a ficar constrangida”, publicou o site do diário “Metro”, do Reino Unido. “A história de superação de uma jovem com uma marca de nascença no rosto”, escreveu o “Telecinco”, da Espanha.

— Não quero parecer metida, mas me sinto bonita, e parte disse é porque tenho a pinta. Ela me torna mais especial, mais bonita. Essa pinta me dá autoestima e acho que, por conta de dessa autoestima, algumas pessoas também gostam dela — disse ao GLOBO a assistente de estilista, que, atualmente, mora em Juiz de Fora. 

Quando era bem pequena, Mariana passou por sessões de laser para remoção do nevo melanocítico congênito, nome médico da sua “pinta”. Essa mancha é observada em aproximadamente 1% dos recém-nascidos. Mariana quer mostrar que não há razão para vergonha e inspirar pessoas que passam por situações semelhantes.

— Minha mãe ficava preocupada. Ela não queria que eu sofresse bullying, mas não me lembro de ter vivido qualquer problema na escola. Quando tinha uns 6 anos, ela me perguntou se eu queria continuar com o procedimento para remover a pinta, que eu fazia em São Paulo, e respondi que não — acrescentou. — Não ligo para críticas, me sinto bem comigo. Esporadicamente, pessoas que nunca me viram perguntam. Também percebo gente comentando. Se eu ligasse, me sentiria mal.

A forma como Mariana encara sua diferença inspirou jornalistas estrangeiros a divulgar sua história. O sucesso foi instantâneo, e a jovem conta que tem recebido vários elogios em suas redes sociais.

— Desde que dei a entrevista, estou recebendo muitas mensagens de pessoas elogiando. Ainda nem consegui responder a todo mundo. Teve um que viu que sou brasileira e mandou uma mensagem com tudo errado em português. Acho que ele usou o Google Tradutor — afirmou Mariana, em meio a risadas.

A jovem conta que quer inspirar pessoas que têm marcas na pele a se sentir bem com isso.

— Uma vez uma menina falou comigo que tinha vergonha da pinta que tem no braço, então usava roupas que cobriam. Ela me pediu ajuda. Na verdade, nós ficamos amigas e mantemos contato até hoje — acrescentou.

Embora não tenha continuado com o procedimento para clarear a mancha, provocada por um defeito na produção de melanina durante a gestação, Mariana contou que o acompanhamento médico continua sendo necessário, por meio de exames, ao menos uma vez por ano, para indicar se houve qualquer alteração.

— Não tive mudanças ainda, e a pinta não prejudica minha saúde. Se estiver estável, é porque não tem sinal de risco — ressaltou.

A dermatologista Mabe Freitas Gouveia, da Clínica Valéria Marcondes, concorda que este acompanhamento é o ideal.

— A pinta deve ser analisada devido ao risco de transformar-se em câncer de pele, do tipo melanoma, com a qual pode ser facilmente confundida. Por isso, os exames precisam ser feitos anualmente. Quanto maior for a pinta, maior a possibilidade de câncer. No entanto, isso não significa que a doença de fato vá aparecer — explicou a médica.

Ainda de acordo com ela, o nevo melanocítico congênito ocorre devido a uma mutação nos melanócitos, que são células produzidas na crista neural ainda no embrião.

— Esses melanócitos se aglomeram e isso forma o nevo. O bebê pode nascer já com a pinta ou ela pode aparecer nas primeiras semanas de vida. Ao longo do tempo, é preciso prevenir e vigiar, mas, se não for detectado um câncer de pele, é possível viver normalmente com o nevo.

 

Compartilhe este post!

Post by admin

Posts Relacionados