Deu no New York Times: médico que lançou moda da vitamina D recebe dinheiro da indústria
22/08/2018

Uma investigação conduzida pela ONG Kaiser Health News a pedido do jornal norte-americano The New York Times (NYT) constatou que o médico Michael Holick, de 72 anos, usa sua posição influente na comunidade médica a fim de promover práticas que beneficiam financeiramente empresas ligadas à produção de suplementos de vitamina D. A matéria foi publicada no Brasil nesta terça-feira (21), pela Folha de São Paulo.

Segundo a reportagem, fabricantes de medicamentos, salões de bronzeamento e um dos maiores laboratórios de testes médicos dos Estados Unidos pagaram a Holick centenas de milhares de dólares em honorários.

O endocrinologista da Universidade de Boston é considerado o maior responsável por criar o mercado de suplementos e testes de vitamina D, que movimenta cerca de R$ 4 bilhões ao ano. Holick já escreveu livros inteiros de elogio à vitamina D e alertou em numerosos artigos acadêmicos sobre “a pandemia da deficiência de vitamina D”, que explicaria o estado insatisfatório da saúde mundial e a forte incidência de doenças.

O papel de Holick ajudou a elevar as vendas de suplementos vitamínicos a cerca de R$ 3,7 bilhões em 2017, que representa uma alta de 900% ante as vendas da categoria uma década antes. O número de testes de laboratório quanto a deficiência de vitamina D também disparou: os médicos americanos solicitaram mais de 10 milhões deles para pacientes do programa federal de saúde Medicare em 2016, ou 547% mais testes do que em 2007. O custo total desses testes atingiu aproximadamente R$ 1,4 bilhão.

De acordo com a reportagem, Holick admitiu em entrevista que desde 1979 trabalha como consultor para o laboratório Quest Diagnostics, que realiza testes de vitamina D. Holick disse que as verbas que recebe do setor “não  influenciam em termos de falar sobre os benefícios da vitamina D para a saúde”.

Não há questão de que a vitamina D é um hormônio importante. Se ela não estiver presente em nível suficiente, os ossos podem perder espessura e se tornar quebradiços, ou passar por deformações, causando uma condição conhecida como raquitismo, em crianças, ou osteomalacia, em adultos. A questão está em qual o teor de vitamina D é saudável e qual aponta para deficiência de vitamina.

Já há alguns anos, Dr. Omar Lupi, presidente do Instituto Protetores da Pele (IPP), alertava seus alunos na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ): “A classificação de níveis de vitamina D tinha algo errado. Havia uma epidemia fictícia de hipovitaminose D”, garante o dermatologista. “No 1º semestre deste ano, produzimos um informe aos cooperados Unimed alertando para o excesso de dosagens de Vitamina D em nosso meio, esclarecendo as indicações corretas de pesquisa e de reposição”, afirma Lupi.

Leia a matéria completa da Folha de São Paulo clicando aqui. A original, do NYT, você pode ler aqui.

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