Campanha “Saúde da Pele do Pescador”, apoiada pelo IPP, é lançada no Rio
29/06/2017

A pesca é uma das maiores atividades econômicas do estado do Rio de Janeiro. E não é à toa: a Baía de Guanabara é a terceira maior baía do Brasil. Se, por um lado, a medalha de bronze é motivo de orgulho para os cariocas, a realidade vivida pelos pescadores da região passa longe de ser uma razão para sorrir. Estudo feito entre 2014 e 2015 pelo dermatologista Fred Bernardes Filho, da Universidade de São Paulo, constatou que a vasta maioria dos pescadores desconhece as medidas de proteção com a pele e os cuidados a serem tomadas em casos de acidentes com animais marinhos.

O estudo serviu de base para a campanha “Saúde da Pele do Pescador” que foi lançada esta semana, no Rio. Na elaboração da campanha, o diretor do Instituto Protetores da Pele, dr. Omar Lupi, se reuniu com o dr. Fred Bernardes, o dr. Marco Andrey C. Frade e o dr. Loan Towersey para desenvolver uma cartilha informativa e uma história em quadrinhos que orientam os praticantes da pesca sobre proteção solar, o câncer de pele e riscos da poluição à saúde e ao meio ambiente, além de primeiros socorros em caso de acidentes com animais marinhos, insetos, objetos perfurocortantes.

A ação

Iniciada no dia 28/06, a ação foi baseada na distribuição da cartilha e do gibi em pontos-chave do estado: na Colônia de Pescadores de Copacabana, na Escola Municipal Cuba e na Colônia de Pescadores Z10, na Ilha do Governador.

No dia 29/06, Dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores, houve campanha durante a Capela de São Pedro, em Niterói, seguida pela procissão terrestre e marítima. Na parte da tarde, visitantes do AquaRio, apoiador da causa, receberam a cartilha e se informaram mais sobre os acidentes marinhos.

A pesquisa e os resultados

Foram entrevistados, no total, 388 pescadores das colônias de pesca da Baía de Guanabara (Zona-8, Z-9, Z-10, Z-11 e Z-12), das comunidades de Niterói, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Itaboraí, Magé e Guapimirim, e da colônia Z-13, da Urca até o Pontal do Recreio, com núcleos em Jacarepaguá e na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Do total entrevistado, apenas 68 pescadores (17,5%) afirmaram usar filtro solar, um dado preocupante considerando que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil. Além disso, 74,1% dos entrevistados relataram mais de dez acidentes envolvendo a atividade da pesca, sendo que 24,9%  precisaram se afastar devido a algum dos acidentes. Entre todas essas variações, houve uma unanimidade: todos disseram nunca ter recebido visita de um médico para orientação/assistência no local em que eles praticam a pesca.

Foi baseando-se nesses dados surpreendentes que o dr. Fred Bernardes enxergou a necessidade de uma campanha voltada especificamente para pescadores, seus amigos e familiares. “Posso dizer que são dois objetivos importantes. O primeiro foi o aprendizado, com a oportunidade de vivenciar a rotina dos pescadores e uma realidade que está bem distante dos livros. O segundo objetivo é que este trabalho seja transformador – se ele ajudar a informar um pescador que seja já terá provocado uma mudança.

Confira as fotos do evento:

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