Bronzeamento proibido
03/06/2019

Técnica que pode causar câncer de pele e queimaduras ainda é oferecida no país

Dez anos depois de serem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as câmaras de bronzeamento artificial ainda são encontradas, funcionando de forma clandestina, no país. No último dia 20 de março, a Polícia Civil gaúcha encontrou seis equipamentos do tipo e prendeu quatro pessoas em Porto Alegre. As camas, que emitem raios ultravioletas e podem aumentar o risco de câncer de pele,  causar envelhecimento precoce e provocar queimaduras, estavam nos fundos de um lava-jato, em uma loja de roupas e em duas clínicas estéticas. Quatro pessoas foram presas. Em janeiro, também houve  apreensões em Bauru (SP).

A procura por esse tipo de tratamento mostra que muitas pessoas passam dos limites em nome da vaidade. Médicos alertam que cuidar da beleza envolve, antes de tudo, prezar pela saúde da pele. Esse foi um dos assuntos debatidos no Simpósio Cosmiatria e Laser – Beleza à Luz da Medicina, realizado no dia 7 de maio, no Rio, pelo jornal O GLOBO em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O encontro, aberto ao público, reuniu dermatologistas, psiquiatra, celebridades, representantes do Conselho Federal de Medicina e da Subsecretaria de Vigilância Sanitária.

A resolução da Anvisa proíbe, em todo território nacional, o uso dos equipamentos para bronzeamento artificial, com finalidade estética. A decisão se baseia na emissão da radiação ultravioleta por essas câmaras. Diversos estudos científicos comprovam que o uso das câmaras aumenta o risco de câncer da pele, incluindo o melanoma, o tipo mais raro mas com maior potencial de disseminação para outros órgãos (metástase) e morte. Uma das pesquisas que norteou a decisão do governo brasileiro — elogiada  internacionalmente por entidades médicas — foi realizada pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde. Segundo esse estudo, o bronzeamento artificial eleva em até 75% o risco de desenvolvimento de melanoma.

— Apesar dos estudos, infelizmente, inúmeras clínicas ainda funcionam ilegalmente no Brasil e legalmente em outros países — afirma Jade Cury, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD.

Pesquisas também já demonstraram que, quanto mais precoce o início do uso e maior o número de sessões de bronzeamento artificial, maior são os riscos de a pessoa desenvolver câncer de pele. Além disso, esses aparelhos podem causar queimaduras, envelhecimento precoce da pele e problemas na visão.

— Não existe melhor forma para realizar o bronzeamento artificial. É um procedimento proibido por lei e que envolve situação de risco à saúde — ressalta Sérgio Palma, presidente da SBD.

Palma lembra que existem métodos saudáveis para deixar a pele mais dourada. Para isso, é essencial consultar um dermatologista. O profissional avaliará a história e a sensibilidade da pele do paciente e, dependendo, poderá indicar a aplicação de autobronzeadores, que produzem um efeito semelhante ao bronzeado, sem prejudicar a saúde.

— Estamos inseridos numa sociedade de modismos. E modismo e saúde, às vezes, não combinam. Nós, como sociedade médica, temos o papel de alertar a população para que não se deixe levar por esses modismos sem pesar os riscos e os benefícios. Procure um profissional habilitado para orientá-lo, porque isso pode custar caro, tanto no que diz respeito à saúde como à própria vida — concluiu a dermatologista Bruna Duque Estrada, assessora do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD.

Fonte: Marie Claire

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