Abaixo o preconceito contra doença de pele
03/09/2013

Desde que o neto da coreógrafa e bailarina Deborah Colker passou por uma situação constrangedora para tentar embarcar num voo entre Salvador e o Rio de Janeiro recentemente, por conviver com uma doença de pele não contagiosa (epidermólise bolhosa), veio à tona um assunto que sempre preocupou os dermatologistas: o preconceito vivido por pessoas que possuem enfermidades cutâneas que não são transmitidas através do contato.

Também fazem parte desse grupo a psoríase (causa lesões vermelhas e descamativas na pele) e o vitiligo (caracterizada por manchas brancas cutâneas), além de outras doenças que geralmente comprometem bastante a autoestima e a socialização. Não foi à toa que, no início deste ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) criou os Grupos de Apoio Permanente, cujo objetivo é apoiar pacientes que se sentem fragilizados e que têm a qualidade de vida afetada por causa dessas doenças.

O projeto já é uma realidade no Espírito Santo, em Minas Gerais, no Paraná, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. “Aqui em Pernambuco, ainda estamos discutindo como podemos viabilizar essa ação, que é importante para combater o estigma”, informa o presidente da SBD/PE, Sérgio Palma.

Ele reforça que os indivíduos com problemas de pele geralmente são marginalizados no dia a dia devido à falta de informação que circunda a sociedade. Muitos enfrentam discriminação no ambiente de trabalho, na escola e na família. E esse cenário torna o terreno fértil para o desenvolvimento de depressão, ansiedade e angústia por causa de uma possível reação negativa da população diante de enfermidades que passam longe da condição de contagiosas.

“Há até quem precise de apoio psicoemocional”, frisa o médico. Um estudo publicado no British Journal of Dermatology voltou-se para essa temática e mostrou que várias doenças de pele caracterizadas por sinais físicos, como bolhas e manchas, podem levar o paciente a ter raiva e vergonha de sua condição, o que favorece o isolamento social e a queda na produtividade laboral, além de ausência frequente no trabalho à segregação. “Pessoas com epidermólise bolhosa, psoríase, vitiligo e outras doenças precisam estar incluídas na sociedade. Isso nos estimula a continuar o nosso trabalho educativo”, finaliza o dermatologista.

Fonte: Jornal do Commercio Online

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